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Cuidados a ter com o seu coelho de estimação

Cuidados a ter com o seu coelho de estimação

Coelhos (Oryctolagus cuniculus)

Os coelhos (Oryctolagus cuniculus) estão em terceiro lugar como pet mais comum nas casas portuguesas. São herbívoros estritos e maioritariamente crepusculares, ou seja, estão mais ativos ao início da manhã e final da tarde.

Existe a falsa ideia de que pertencem à família dos roedores, mas na verdade são lagomorfos, pois possuem 4 incisivos superiores e não apenas 2. Tem 28 dentes de crescimento contínuo.

A esperança média de vida dos coelhos é de 5 a 10 anos e atingem a maturidade sexual entre os 4 e os 9 meses. Podem atingir os 6kg, têm 5 unhas nos membros anteriores (patinhas da frente) e 4 unhas nos membros posteriores (patinhas de trás). Ao contrário dos cães e gatos, os coelhos não têm almofadas palmares e plantares. As glândulas odoríferas estão localizadas no queixo (que usam para marcar tudo!) e no ânus.

Os coelhos, uma vez que são presas, tem os olhos localizados lateralmente na cabeça. Por causa desta disposição anatómica, possuem pontos cegos na nuca, frente do nariz e no topo da cabeça.

São animais muito sensíveis ao calor e no Verão devemos mantê-los numa zona fresca (mas sem correntes de ar!). Como não transpiram, usam as orelhas para regular a temperatura corporal. Têm grandes mudanças de pêlo durante o ano por isso devem ser escovados regularmente.

A sua temperatura rectal ronda 38,3ºC e 39,3ºC, os batimentos cardíacos são 150 a 300 por minuto e as respirações 30 a 60 por minuto.

Os coelhinhos podem fazer cerca de 18 sestas por dia e dormem com os olhos abertos. Quando estão confortáveis, relaxados e a receber mimos, emitem sons.

Devem exercitar-se, no mínimo, 4 horas por dia, para evitar problemas musculares, ósseos e articulares, stress (por confinamento) e obesidade.

A atividade favorita deles é roer, por isso, quando estão soltos em casa, é preciso ter muita atenção aos cabos elétricos (pois são atraídos para esses cabos,) aos rodapés, portas, carpetes, cadeiras e sofás, e disponibilizar brinquedos e objetos próprios para o desgaste dos dentes.

São saltadores exímios, podendo saltar mais de 1 metro de altura (muito cuidado com as quedas).

Relativamente à gestação, esta pode durar 28 a 31 dias. Em média cada ninhada tem 4 a 8 crias. Estas nascem com os olhos fechados e ficam assim até cerca de duas semanas. Só se deve separar as crias da mãe a partir das 8 semanas de vida.

Uma vez que a ovulação nas coelhas é induzida pelo cópula com o macho, estas podem acasalar e ficar gestantes horas após darem à luz.

Esterilização coelhos

ovariohisterectomia (fêmeas) e orquiectomia (machos)

Estas cirurgias podem ser realizadas a partir do 6-8 meses de idade.

Coelhos inteiros, ou seja, que não tenha sido esterilizados/castrados têm:

  • Oscilações hormonais muito acentuadas,
  • Marcação de território exuberante
  • Demonstrações de dominância
  • Podem chegar a atacar (morder) os donos e outros animais
  • Tentam acasalar com tudo…

Vantagens da esterilização

Fêmeas:

  • diminuição agressividade- são mais territoriais que os machos
  • prevenção de pseudogestação, tumores mamários, útero, ovários e outras patologias reprodutivas
  • Prevenção de gestações indesejadas
  • Aumentar a esperança média de vida

Machos:

  • Prevenção de tumores testiculares
  • Pode coabitar com outros machos sem risco de se atacarem
  • Aumentar a esperança média de vida

Liteira dos coelhos

Os coelhos podem ser ensinados a urinar e defecar no mesmo sítio. No entanto, por vezes podem deixar cair bolinhas quando saltam, correm ou se assustam.

Por norma, a melhor forma é colocar liteira por baixo ou ao lado do suporte de feno.

Tipos de litter:

  • Não usar areia de gato!!!!
  • Não usar pellets à base de aparas, pinho e cedro, nem os que se usam nas lareiras.
  • Melhores: pellets à base de papel, palha ou erva.

Atenção: coelhos inteiros (machos e fêmeas) podem urinar pela casa tal como os gatos.

Alimentação

A alimentação dos coelhos pode-se dividir em duas categorias: alimentos diários e semanais.

Nos alimentos diários incluem-se o feno, ração própria para coelhos e alguns vegetais como folhas de cenoura, folhas de rabanete, agrião, rúcula e trevo (excepto se desaconselhado por alguma questão médico-veterinária).

O feno é a base da alimentação dos coelhos. O feno Timóteo deve ser fornecido diariamente, embora possa ser complementado com outros tipos de feno. Esta fonte de fibra é imprescindível, pelo que deve estar sempre disponível: é a única forma natural de desgaste dos dentes e promove o funcionamento correto do intestino.

Até aos 6 meses ou a fêmeas gestantes/lactantes e coelhos debilitados pode-se fornecer alfafa, fonte de fibra e proteína. Uma vez que a quantidade de proteína e cálcio são demasiado elevadas para coelhos adultos, deve-se evitar a sua utilização na alimentação dos lagomorfos saudáveis.

A ração dos coelhos deverá ter a forma de pellet, preferencialmente à base de feno timóteo. Esta serve de complemento à dieta habitual. Para donos mais curiosos, esta deve mais de 20% de fibra, até 12%-14% de proteína, até 1%-3% gordura e não mais de 0.2% de cálcio, isto nos coelhos adultos, pois os juvenis precisam de mais proteína. A ração deve ser fornecida uma vez ao dia (entre 20g a 30g – o equivalente a uma colher de sopa) ou repartida em duas refeições.

É muito importante não fornecer ração tipo muesli, pois é rica em açúcar e gordura, podendo levar a problemas hepáticos e a obesidade. A transição entre rações deve ser gradual, ou seja, não se deve trocar de um dia para o outro. Deve-se começar gradualmente.

Nos alimentos semanais (ou seja, que se podem fornecer até 2 vezes por semana) pode fornecer vegetais como alcachofra, acelga, aipo, manjericão, beringela, brócolos, repolho, tomilho, brotos frescos de soja, couve galega, couve flor, couve roxa coentros, espinafres, estragão, cenoura, folha de erva-doce, hortelã, orégãos, pepino ou pimentão (vermelho, amarelo ou verde). Os frutos que podem ser fornecidas até 2 vezes por semana são romã, framboesa, amoras, arandos, mirtilos, cerejas, pêssego, morangos, tangerina, laranja, pêra, maçã, manga, melão, mamão, papaia, melância. Banana deve ser dada com moderação porque os coelhinhos adoram e ficam meios “viciados” neste fruto.

Doenças dos coelhos

Tal como os outros animais, os coelhos podem ser afectados por diferentes tipos de doenças. Estas dividem-se em doenças infecciosas: de origem bacteriana, vírica ou parasitária e doenças não infecciosas: como as pododermatites e problemas dentários.

Sinais como dificuldade ou ruídos a respirar e/ou secreção no nariz (entre outros) são sinais de alerta para infeções respiratórias, assim como a diarreia, abdómen dilatado ou doloroso e não produzir fezes são sinais de alerta de que algo não está bem no sistema digestivo. No entanto, como na natureza são presas, os coelhos muitas vezes só manifestam sinais quando a doença já se encontra numa fase mais desenvolvida, pelo que é muito importante conhecer os hábitos destes nossos pets.

As doenças bacterianas podem afetar qualquer sistema do organismo dos coelhinhos. São exemplos a pasteurelose, a salmonelose, tularemia, pseudotuberculose, tuberculose e mastites. Além do exame físico, é também muito importante a realização de meios complementares de diagnóstico (como radiografia, análises ao sangue, ecografia e/ou cultura bacteriana) para o diagnóstico destas patologias.

Relativamente às doenças víricas, as mais comuns em Portugal são a Mixomatose e a Doença Hemorrágica viral. São duas doenças altamente mortais (mortalidade pode ir dos 50 aos 100%) e ambas são transmitidas por contacto direto ou por vetores (mosquitos, ácaros, pulgas, piolhos e moscas). Não existe tratamento para estas doenças, pelo que só se controlam os sintomas que originam. Infelizmente, a eutanásia pode ter de ser considerada.

A Mixomatose é causada pelo Mixovírus (Poxviridae). Tem um período de incubação de 8 a 21 dias. Os sinais iniciais podem ser inespecíficos, como a perda de apetite, prostração e febre. A forma aguda, mais mortal, caracteriza-se principalmente por inchaço da cabeça e genitais, tal como gânglios aumentados. Na forma crónica surgem nódulos, especialmente nas orelhas, nariz, de resolução espontânea, mas as crostas podem demorar a desaparecer.

A doença hemorrágica viral é causada por um calicivirus. Caracteriza-se, como o nome indica, por hemorragias através do nariz, boca e/ou genitália, podendo também apresentar sinais neurológicos. Os sinais clínicos podem surgir 48 horas após infecção, mas, em alguns casos, podem morrer sem apresentar qualquer sinal. Os coelhos que sobrevivam à doença tornam-se portadores e podem excretar o vírus durante cerca de 1 mês.

O diagnóstico destas duas doenças é realizado através do exame clínico, dados epidemiológicos e anatomopatológicos. Felizmente, ambas estas doenças podem ser prevenidas através da vacinação e do controlo de vetores.

As doenças fúngicas são denominadas dermatofitoses e são zoonoses, ou seja, podem afetar o ser humano. São transmitidas através de contacto directo, caracterizando-se por leões de pele de aspecto crostoso, avermelhado, provocando muita comichão e perda de pelo. Apesar de poder ser demorado, o seu tratamento é possível.

Para terminar as doenças infecciosas, falta referir as doenças parasitárias. Estas podem ser provocadas por ectoparasitas (pulgas, carraças, piolhos e ácaros) e por endoparasitas (nemátodes, céstodes e protozoários).

Dentro dos endoparasitas, damos especial destaque ao Encephalitozoon cuniculi, um protozoário que provoca uma doença chamada Encefalitozoonose (que pode afectar os seres humanos), muito comum nos coelhos. Apesar de muitas vezes assintomática, quando se manifesta pode originar sinais neurológicos como parésia/parálise, convulsões, síndrome vestibular, incontinência, tremores e os coelhos podem apresentarem a cabeça de lado. Pode também provocar insuficiência renal, atraso no crescimento ou mesmo a morte. Este parasita pode ser transmitido no útero ou através da ingestão de urina ou fezes que contenham esporos infeciosos. Estes últimos podem permanecer ativos no ambiente até 4 semanas. O diagnóstico definitivo só é possível através de exame post mortem. Até ao momento não existe tratamento para este parasita, só é possível mantê-lo latente no organismo, e tratar os sinais clínicos que provoca quando ativo.

Outras patologias que podem afectar os coelhinhos são os problemas dentários e as pododermatites. Com dentes de crescimento continuo, por vezes pode existir sobre crescimento dentário por pouco desgaste ou por má oclusão (dentes mal alinhados). É imprescindível uma avaliação regular da cavidade de modo a evitar lesões (feridas, ulceras, etc) que levem a que os coelhos deixem de comer. Caso exista sobrecrescimento dentário por ser necessário o desgaste ou corte cirúrgico dos mesmos.

Relativamente às pododermatites, estas são lesões na pele das patinhas (os coelhinhos não têm almofadas plantares), por vezes muito graves. Podem ser originadas pelo contato direto e constante com fezes e urina ou por o chão do alojamento ser de grade ou demasiado duro. Como prevenção, deve-se higienizar diariamente o alojamento e colocar mantas ou outro material mole a revestir o chão do mesmo.

Medicina Preventiva

Os coelhinhos devem ser vacinados e desparasitados regularmente de modo a evitar que fiquem doentes.

O plano vacinal inclui as vacinas contra a mixomatose e a doença hemorrágica viral e deve ser iniciado às 6-8 semanas de idade. Deve existir pelo menos 2 semanas de intervalo entre as vacinações para cada uma das doenças. O reforço para cada uma delas realiza-se às 3-4 semanas pós-vacinação. A vacina contra a mixomatose deve ser repetida de 6 em 6 meses e a vacina contra a doença hemorrágica viral anualmente.

As desparasitações internas e externas devem ser realizadas de 4 em 4 meses (exceto casos particulares). Nunca utilizar desparasitantes externos com fipronil (desparasitante comum para cães e gatos), pois podem levar à morte dos coelhinhos.

Aconselhe-se sempre com o seu médico veterinário antes de administrar qualquer produto ao seu coelhinho! Se tem um coelho e precisa de se aconselhar relativamente aos cuidados de saúde preventiva, alimentação ou maneio, conte com a equipa Ani Mar. Pode marcar a sua visita AQUI. Até breve!

 

Autora: Dra. Cláudia Nogueira, Médica Veterinária, Hospital Veterinário Ani Mar

 

Webgrafia:

Os Coelhos e os dentes!!

https://bunsurus.wordpress.com

https://coelhopedia.wixsite.com/coelhopedia

www.iniav.pt/doença-hemorrágica-viral-dos-coelhos

www.bluecross.org.uk/advice/rabbit

www.rspca.org.uk/adviceandwelfare/pets/rabbits

Bibliografia:

Andrade, A., Pinto, SC e Oliveira., RS orgs, Animais de Laboratório: criação e experimentação[online]. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ, 2002. 388p. ISBN: 85-7541-015-6

Harcourt-Brown, F. e Chitty, J. BSAVA Manual of Rabbit Surgery, Dentistry ains Imaging, BSAVA, 2013, 448pp. ISBN: 978 1 905319 41 1

Meredith, A., e Lord, B. BSAVA Manual of Rabbit Medicine, BSAVA, 2014, 336pp. ISBN: 978 1 905319 49 7

 

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